Pesquisas
Audiovisual em rede: tecnicidades e sensibilidades em mutação na cultura pop televisiva
Juliana Freire Gutmann
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O projeto se dedica ao estudo da experiência audiovisual nas ambiências digitais a partir de abordagem cultural e historicizada das transformações da cultura pop televisiva e ênfase nas relações entre tecnicidades e sensibilidades de modo a compreender o audiovisual em circulação nas redes como dimensão de interpretação do sensorium comunicacional contemporâneo. De maneira mais específica, indaga-se: como podemos nos habilitar para a interpretação desse audiovisual, que transborda por plataformas, articula corpos, imagem, som, comentários, abas, botões, memes etc., levando em conta a correlação entre tecnicidades e sensibilidades/sensorialidades? Busca-se desenvolver a proposição através de estudo centrado em fluxos audiovisuais em circulação no YouTube, Instagram, Twitter, Twitch e TikTok e tendo duas expressões da cultura pop televisiva como dimensões analíticas, as lives (o “ao vivo”) e o videoclipe, aqui denominadas de vetores. É pela análise empírica que se pretende mapear convenções e transformações desse audiovisual, levando em conta matrizes da cultura televisiva, modos de uso das plataformas e seus entrecruzamentos. Para o desenvolvimento da pesquisa, propõe-se articulação dinâmica entre três eixos: 1) mapeamento de fluxos midiáticos em torno dos vetores lives e videoclipes, o que inclui outras formas audiovisuais conectadas no processo de circulação (memes, paródias, reactions etc.). Na constituição do corpus preliminar de pesquisa, esses vetores são acionados, a princípio, por lives musicais e videoclipes lançados na primeira onda da pandemia da Covid-19, em 2020, momento que se justifica pela relevância da compreensão dos modos como os audiovisuais em redes agenciaram interações sociais num contexto de isolamento físico. A pesquisa inclui ampliação desse corpus a fim de identificar reiterações e alterações do objeto nos anos seguintes; 2) estudo das gramáticas de uso das audiovisualidades com base na compreensão da tecnologia enquanto mediação cultural e das noções de gênero midiático e performance como conceitos metodológicos para análise das transformações desses audiovisuais; 3) análise cultural, no marco das materialidades audiovisuais, atenta aos seus agenciamentos sensíveis e identitários de modo a compreender o que caracteriza o sensorium comunicacional contemporâneo. Num sentido mais amplo, pretende-se contribuir para a atualização de conceitos caros à área a partir da investigação de como esses fluxos desestabilizam paradigmas da Comunicação, a exemplo da noção de meio de comunicação de massa, veículo, suporte, transmissão e produto. Pesquisa com financimento do CNPq (PQ nível 2).
Situação: em andamento
Performance como dimensão de apreensão da cultura audiovisual nas ambiências digitais
Juliana Freire Gutmann

Investigação de aspectos plásticos, sensíveis, tecnológicos e culturais que constituem o audiovisual em circulação nas redes sociais digitais, afirmando o olhar historicizado sobre seus modos de produção, circulação e consumo e tendo a performance como objeto e conceito metodológico de pesquisa. Considerando a performance como expressão empírica da experiência comunicacional, a pesquisa abordou as formas da cultura audiovisual nas redes num movimento contínuo de articulação entre diversos fluxos e tempos históricos. Ao longo de quatro anos de investigação (2019 – 2023), a pesquisa desenvolveu abordagem teórica e metodológica da noção de performance como categoria de apreensão do audiovisual nas ambiências digitais, que têm o corpo do sujeito midiático como lugar de disputa por visibilidades. Nesse duplo investimento, o estudo incluiu: a) mapeamento de um conjunto de performances em redes digitais e identificação de padrões de ruptura e restaurações em relação a outras matrizes midiáticas; e b) constituição de um protocolo de análise empírica da performance em articulação com audiovisuais em redes. Pesquisa com financiamento do CNPq/ Edital Universal/ Processo 426362/2018-7 (Projeto de Pesquisa que possibilitou o financiamento para a criação deste website).
Situação: concluída
Wakanda Forever: reivindicações de afrofuturos em torno do Pantera Negra Chadwick Boseman
Alexandre Souza

A dissertação analisa articulações entre performances afrofuturistas, negritudes e cultura pop em torno da “pantera negra” Chadwick Boseman, cujo falecimento em 2020 é aqui encarado como vetor midiático que nos faz ver, nas ambiências digitais, uma rede de reivindicações afrodiaspóricas configuradas e reconfiguradas pelo gesto Wakanda Forever. O vetor midiático é localizado a partir do tweet que confirmou o falecimento do ator norte-americano Chadwick Boseman, postado em 29 de agosto de 2020, na sua própria conta oficial no Twitter. A partir deste tweet, aqui encarado como um disparo midiático, foram mapeadas e analisadas expressões comunicacionais nessa plataforma e no Instagram, totalizando 21 posts, entre vídeos, imagens e depoimentos, através das tags #wakandaforever #chadwickboseman e #panteranegra, que evidenciam diversos corpos negros articulados em torno da saudação ao personagem/ator. O problema desta dissertação se debruça sobre como o filme Pantera Negra (2018), a partir da força de seu protagonista, é reverberado em diversos outros corpos negros protagonistas (seja no mainstream, seja na vida cotidiana) com a morte do ator Chadwick Boseman em 2020. Como esse disparo midiático revela, reitera e ressignifica uma rede de reinvindicações atravessada por narrativas afrofuturistas e experiências de negritudes articuladas a componentes especulativos. Isso nos permite compreender certas mutações culturais, trânsitos, transformações e éticas de possibilidades incorporadas, no âmbito da cultura pop global, pelo gesto Wakanda Forever, compreendido neste trabalho pela perspectiva da performance. A ideia de pop, nesta pesquisa, é compreendida pela perspectiva da nebulosa afetiva (JANOTTI JR.; SOARES, 2015) e as discussões sobre afrofutirismos, diáporas e negritudes se amparam em referências de autores e autoras negras, tais quais Stuart Hall (2013), Paul Gilroy (1993), Marimba Ani (1994), Aza Njeri (2015), Sueli Carneiro (2005), Achille Mbembe (2018), Fábio Kabral (2020), Kênia Freitas (2018), Michael Boyce Gillespie (2016), Molefi K. Asante (2009) e Kabengele Munanga (2012). O aporte teórico-metodológico engloba a noção de audiovisual em rede (GUTMANN, 2021), o conceito de performance enquanto comportamento restaurado (SCHECHNER, 2013) e enquanto incorporação, arquivo e repertório (TAYLOR, 2013) e o mapa das mutações culturais (MARTÍN-BARBERO, 2009).
Situação: concluída
Na ausência de carne, pixels e presenças produzidas: A materialidade da performance musical através de hologramas
Ana Terse Tavares Soares

A pesquisa, inserida no campo da Comunicação e das Culturas Contemporâneas, toma o fenômeno Hatsune Miku como operador paradigmático que tensiona categorias consolidadas da teoria da performance e dos estudos de mídia. Ao analisar concertos holográficos nos quais corpos biológicos são fabulados (Greiner, 2015) e simulados por projeções de sons e pixels, propõe-se compreender a produção de presença como dimensão ontológica anterior ao sentido, capaz de redefinir os regimes de experiência e de interação estética no espaço performativo. A investigação parte da hipótese de que o holograma constitui um “corpo-espectro” (Ludueña Romandini), cuja (i)imaterialidade engendra uma corporeidade relacional que atua simultaneamente como texto cultural, performer, mídia e objeto expressivo de um fenômeno visual-interacional emergente. Tal perspectiva exige deslocar o foco da análise do plano meramente representacional para uma abordagem que considere o holograma enquanto assemblage sociotécnica, na qual humanos, algoritmos, infraestruturas e afetos coproduzem modos singulares de presença e autoria distribuída. O trabalho espera articular uma composição de abordagens teórico-metodológicas de apreensão material da performance como expressões empíricas da experiência estética a partir de quatro figurações conceituais: mimesis, mise-en-scène, contexto comunicativo e gênero midiático (Gutmann; Cardoso Filho, 2019).
Situação: em andamento
ADORO DJ’S: As disputas afetivas presentes nos processos de remixagem na música eletrônica brasileira
Pedro Augusto Santana

Essa pesquisa se propõe analisar, através das lentes dos Estudos Culturais, as disputas afetivas manifestadas em faixas remixadas por DJs brasileiros. Os afetos são compreendidos neste projeto como energia de mediação, de caráter mobilizador e organizador (GUTMANN, 2021) e a figura do DJ é centralizada em função da sua competência de indivíduo mediador (FONTANARI, 2008). Serão utilizados como vetores audiovisuais (GUTMANN, 2021) para a análise as coletâneas de remixes After – Pabllo Vittar, DEB RMX - Juçara Marçal e Fernanda Abreu: 30 Anos de Baile – Fernanda Abreu, escolhidos pela diversidade de artistas em colaboração, visando a multiplicidade de possibilidades de articulação. O operador teórico metodológico adotado para esse projeto de pesquisa foi a contextualização radical (GROSSBERG, 2010), articulado com os conceitos de afeto e mediação, buscando compreensão de como os objetos analisados demonstram a emergência de disputas afetivas na produção de uma faixa remixada e como o DJ, personagem central da hipotese que norteia esse
projeto de pesquisa, é capaz de “afetar e ser afetade” (yu et al, 2022).
Situação: em andamento
Mapeando edits televisuais em rede: consumo da novela 'Vale tudo' no TikTok
Marcos Caique Silva Lisboa

Essa pesquisa de Iniciação Científica parte da popularização do TikTok como espaço global de produção e circulação de vídeos, destacando os edits como formato central, remixes de produtos audiovisuais, como filmes e novelas, que revelam novos usos e modos de consumo da cultura pop televisiva em rede. O objetivo foi mapear as interações na plataforma a partir de um edit-base de telenovela, observando as reverberações de conteúdos remixados. A novela escolhida foi o remake de Vale Tudo (Rede Globo, 2025) que mobilizou intensamente a circulação de edits tanto da versão atual quanto da original. Ancorada no conceito de audiovisuais em rede (Gutmann, 2021), a análise identificou quatro categorias de edits: Micro Clipe, Remake x Original, Tretas e Institucional — contribuindo para pensar as transformações da cultura televisiva no contexto das plataformas.
Situação: concluída
"Sou Bicha do Amor": articulações entre pop, performance e paródias em torno de Lady Gaga
Caio Amaral Cruz

A dissertação de mestrado analisou articulações entre performances transviadas e a cultura pop-mundo a partir de paródias brasileiras de Lady Gaga no YouTube. O trabalho apresenta abordagem sobre pop, performance e paródia com base em conceitos e pressupostos dos Estudos Culturais britânicos e latino-americanos em diálogo com outras vertentes acadêmicas. O conceito de cultura pop-mundo é desenvolvido como um espaço global multifacetado e conectado onde trocas culturais das mais diversas se estabelecem de formas assimétricas. As paródias são compreendidas com base nos conceitos de hipertextos e palimpsestos de Jesús Martín-Barbero, como forma de pensá-las além de interpretações fixas de passado e presente e de autenticidade. A abordagem metodológica é fruto da articulação entre o mapa das mediações e o mapa das mutações culturais, que guiou a trajetória analítica junto aos quatro eixos construídos nesta pesquisa: poética do armengue, humor transviado, tretas do pop e pop-denúncia.
Situação: concluída
O HYPERPOP COMO CONSTRUÇÃO DE CENA MUSICAL DIGITAL (RE)TORCIDA: videoclipes, performances e interações afetivas da audiência LGBTQIAPN+ em rede
Cícero Bernar da Silva Muricy

A pesquisa objetiva investigar a formação de uma cena musical digital do gênero Hyperpop – desertor da música pop mainstream - levantando a hipótese de ser um local de territorialidades diferentes, experimentações e performances dissidentes, utilizando as premissas do audiovisual em rede (GUTMANN, 2021) “hyperpopiano” por meio dos afetos, comentários, identificações, interações e recodificações da audiência LGBTQIAPN+ nas plataformas de mídias sociais digitais através das formulações do Circuito da Cultura (DU GAY et all. apud COHEN, 2021) em razão dos sentidos que interagem entre si provocados pelas performances audioverbovisuais de Arca, SOPHIE, Dorian Electra e That Kid registradas no YouTube. A investigação será amparada pela análise da canção midiática em direção ao registro audiovisual (SOARES, 2004, 2006; JANOTTI JR; SOARES, 2008), considerando a construção de diferentes referências e sentidos identificadoras do gênero musical. Além de também aproximar-se dos estudos queer e de gênero (BUTLER, 2002, 2018; CASTILLO, 2014; LAURETIS, 1994; LEAL, 2022; MOMBAÇA, 2021; SHOCK, 2021) para observar a hipótese das modulações de pertencimento e tensões ao redor das alianças do binarismo de gênero, padronizações das sexualidades e outros aspectos que se presentificam como ânsia de recodificações e ruptura das repetições hetero-cisnormativa.
Situação: em andamento
Cenas transviadas: performances, investimentos afetivos e vídeos musicais em rede
Edinaldo Araujo Mota Junior

Esta tese se propõe analisar o fenômeno cultural brasileiro no qual pessoas dissidentes das normas de sexo e gênero (RIVAS, 2011; COLLING, 2019) tem se espacializado naquilo que estou chamando de cenas musicais transviadas. Como um gesto teórico-analítico para compreender suas condições de possibilidade, cenas transviadas tensionam as convenções em torno de gêneros, sexualidades, raça, etnia, classe, território, e articula torsões e fricções do corpo às reinvenções que atravessam o audiovisual contemporâneo e às nossas experiências, quando habitamos os espaços urbanos e as ambiências digitais de modo conectado. Centrado na incorporação de feminilidades, seus trânsitos e rasuras, assumo o transviado, nos termos de Bento (2016; 2017), como agir no mundo contra violências sistêmicas imputadas ao que a autora chama de feminino abjeto. Diante dessa perspectiva, parto do pressuposto de que o audiovisual contemporâneo, que marca fortemente essa cena, é tecido pelo cruzamento de expressões comunicacionais, sujeitos e plataformas em diversas dinâmicas de produção, circulação e de consumo que ocorrem em fluxos (GUTMANN, 2021). A partir de um quadro teórico que articula estudos feministas, estudos queer, estudos culturais e da comunicação, além de algumas perspectivas filosóficas e decoloniais, proponho o desenho de um rizoma, trama de nós heterogêneos (DELEUZE; GUATTARI, 2010; 2011), para analisar como as resistências às hierarquias e normas do gênero, vistas enquanto performances de desidentificação (MUÑOZ, 1999), revelam a formação de comunidades em que participantes criam novos sentidos para suas identidades e ressignificam valores sociais e comunitários. Tal movimento ocorre a partir de quatro platôs/vetores: o primeiro, o disparo matricial na figura da cantora travesti Linn da Quebrada; e os segundos platôs, que abrem uma série de questões sobre gênero e sexualidade no contexto brasileiro, são analisados a partir de três vídeos musicais da artista: Enviadescer, Bixa Preta e Blasfêmea. De modo rizomático, a análise empírica conecta Linn da Quebrada e suas obras a uma trama de outras sujeitas que, em rede, exibem a formação de cenas como espaços e comunidades relacionais. Nesse sentido, artistas e fãs ritualizam práticas e socializam gostos, estilos, identidades em complexas dinâmicas de produção e consumo, ressignificando coletividades e cidadanias. Por fim, observa os modos pelos quais investimos nossos desejos, prazeres e pertencimentos através da música e do audiovisual, e assume que investimentos afetivos e engajamentos identitários (GROSSBERG, 1997; 2010; 2018, GOMES; ANTUNES, 2019), mapeados em torno dos audiovisuais em rede, respondem a dadas condições de possibilidade histórica.
Situação: concluída
Não tem cais, aonde hei de parar: as ficções sônicas de Juçara Marçal
Fabio Cabral Jota

A pesquisa propõe investigar a obra da cantora Juçara Marçal, buscando compreender como sua produção aponta caminhos para outras possibilidades estéticas para a música brasileira. O trabalho de Marçal transita entre uma profunda pesquisa sobre a cultura popular brasileira e por uma inquietação experimental e vanguardista, num esforço de encontrar outras formas de se fazer e pensar a música brasileira. Pretende-se compreender sua obra a partir do conceito de ficções sônicas proposto por Kodwo Eshun, que propõe uma chave de leitura para pensar a música a partir de uma temporalidade não-linear e com viés afrofuturista, em que a música tem a potência de produzir novas possibilidades de futuro. A questão do tempo se torna importante na medida em que permite pensar a cultura superando uma lógica que produz divisões binárias entre tradição e inovação, tradicional e moderno, popular e experimental.
Situação: em andamento
NAS BORDAS DA PERFORMANCE: O corpo em ação e a emergência de outras
cenas à cerca dos femininos
Caroline Vieira Sant’Anna
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Nesta tese se investiga a inseparabilidade entre performances artísticas e performances de gênero quando diante de processos produzidos por artistas feministas, pretas e ou dissidentes de gênero. No lugar de pensar a performance apenas como uma manifestação corporal do gênero e das artes, e unindo o campo das artes ao da comunicação, a pesquisa se propôs a investigar a performance como um método, uma prática que configura uma episteme nas palavras de Diana Taylor (2013). A partir deste jogo relacional foram aproximados dois momentos cruciais na história recente do Brasil, os anos de 1960/1970, período em que o país esteve imerso em uma ditadura civil-militar, e os anos de 2010/2020, quando começou uma onda conservadora que levaria o país à ascensão de um governo de extrema direita. Para estes dois contextos históricos é que se olha para entender os processos artísticos, contextos e contingências que fizeram emergir as videoperformances das artistas Letícia Parente, Sonia Andrade e Regina Vater, na primeira parte e Renata Felinto, Castiel Vitorino Brasileiro e Priscila Rezende na segunda parte do trabalho, intercalando-se as lutas e avanços em volta dos movimentos feministas. Portanto,
são processos artísticos que investem em um saber do corpo que, em contato com o vídeo, apontam para uma investigação artística-crítica, em que deixa ver as transformações subjetivas e a abertura para a aparição de outras corporalidades na cena das artes visuais, a partir dos anos 2010, exigindo da análise outros critérios diferentes daqueles que regiam as discussões e disputas das feminilidades em cena
nas décadas de 1960/1970.
Situação: concluída
A(S) VOZ(ES) DE ELIS REGINA: Performance, contextos midiáticos
e transformações vocais
Flávia Pereira Caraíbas

Elis Regina foi uma artista muito relevante na construção da música popular brasileira e teve a carreira atravessada por várias mudanças na indústria musical. O entendimento da voz enquanto performance reivindica a sua dimensão sociocultural e, portanto, a sua relação
com o entorno cultural de onde e para onde ela é produzida. O presente estudo tem como objetivo identificar os ajustes de qualidade vocal utilizados por Elis em diferentes momentos da sua carreira e discutir, com base nos estudos de performance dentro do campo da Comunicação, as possíveis relações entre o contexto midiático, as dinâmicas do mercado musical e as transformações da voz de Elis. Para a descrição dos ajustes de qualidade vocal utilizados por Elis foi utilizado o Vocal Profile Analysis Scheme – VPAS em cinco performances relevantes de cinco momentos diferentes de sua carreira. Para permitir a discussão da voz enquanto performance, foi realizada pesquisa bibliográfica sobre vida e obra de Elis Regina e dinâmicas do mercado musical no contexto dessas performances. Essas informações foram discutidas a partir da literatura dos estudos de performance. As análises mostraram que os ajustes de qualidade vocal – que resultam no timbre – utilizados por Elis Regina nas diferentes performances foram distintos, de modo que são quase opostos quando comparados “Arrastão” - laringe baixa, expansão faríngea, lábios protraídos, corpo de língua elevado, extensão diminuída de língua - com “Como nossos
pais” – laringe elevada, hiperfunção do trato vocal e laríngea, extensão aumentada de mandíbula e de lábios. Cada performance analisada marca uma fase da carreira de Elis. As informações coletadas sobre fatos de sua vida e interação com outros atores no mercado musical sugerem que as modificações da voz de Elis foram atravessadas por lógicas culturais, comunicacionais, mercadológicas e interações com outros corpos, sejam eles as cantoras e cantores que ouvia, o público dos programas televisivos, produtores, músicos ou outros profissionais com quem trabalhou. O trabalho evidenciou a importância do entendimento da voz enquanto performance, contribuindo para fortalecimento da articulação entre as ciências que estudam a fisiologia e a acústica da voz e as ciências que se debruçam sobre as suas implicações socioculturais. Contribuiu também para o preenchimento da lacuna de estudos acadêmicos que tenham como foco as transformações da voz de Elis Regina, uma artista tão importante para a história música popular brasileira.
Situação: concluída
Olhar a cicatriz: a constelação da violência em rape-revenge e seus engajamentos em rede
Flávia Elisa Trindade Lima

Esta dissertação analisa a violência de gênero e as representações de raiva e trauma pelas mulheres como dimensões de engajamentos nas redes sociais em diálogo com três filmes, Vingança (2017), Bela Vingança (2020) e Fresh (2022), buscando propor articulação entre as noções de constelação fílmica (Souto, 2020) e audiovisual em rede (Gutmann, 2021). A pesquisa parte do objetivo de investigar como, a partir das representações da violência de gênero e vingança nos filmes e das relações entre eles, reverberadas em redes de engajamentos nas plataformas digitais, mulheres reagem, engajam, compartilham experiências e constroem estratégias de sobrevivência e solidariedade. Além disso, o estudo examina o rape-revenge, revisitando textos de cinco autoras que abordam a prática cinematográfica (Clover, 1992; Read, 2000; Henry, 2014; Heller-Nicholas, 2021; Dethero, 2023) e articulando esse debate ao conceito de male gaze (Mulvey, 2009), frequentemente associado às produções fílmicas. O trabalho também mobiliza as noções de tecnologia de gênero (de Lauretis, 1987) e mandato da masculinidade (Segato, 2018, 2025) como lentes analíticas para observar as negociações e disputas que constituem o patriarcado enquanto dimensão estruturante da violência de gênero.
Situação: concluída
INDIE GAMES À BRASILEIRA: Relações entre autoria e performance no contexto do desenvolvimento de jogos digitais independentes brasileiros
Gustavo de Oliveira Brandão

A pesquisa visa conduzir uma investigação a respeito das relações poéticas entre autoria e performance na produção dos jogos digitais independentes brasileiros. Tem-se enquanto premissa que o estilo autoral, presente numa obra, pode ser entendido enquanto vestígio da performance das pessoas autoras. Concentrando nossa atenção nos jogos digitais independentes brasileiros, levanta-se a hipótese de que esses jogos exibem traços distintos, emergentes do cruzamento entre particularidades originárias do território nacional e influências provenientes de outras culturas. A investigação é fundamentada na Poética da Relação, discutida por Glissant (2021), bem como as concepções teórico-conceituais de autoria e estilo, apontadas por Picado e Jacob (2018), e de performances pensadas por autores dos performances studies. Além do conceito de gambiarra (Messias; Mussa, 2020), voltado para pensar a relação estética, política e cultural das mídias elaboradas em contextos periféricos. Para condução dessa investigação, será utilizada uma metodologia que nomeada por “Constelação Gamer”, elaborada através da combinação de dois métodos: a constelação fílmica (Souto,2020), método de análise comparativa de produtos audiovisuais, e das figurações conceituais (Gutmann;Cardoso Filho, 2019), os modos de apreender a manifestação de performances em produtos comunicacionais.
Situação: em andamento
Música no stream: transformações das experiências comunicativas audiovisuais e consumo de música a partir das plataformas de games
Janaína Oldani Casanova

A pesquisa busca compreender os processos de circulação da música em diferentes audiovisualidades quando utiliza a dinâmica dos games em performances nas plataformas digitais de streaming. A proposta é analisar as transformações dos modos de consumo de música, considerando que eles aparecem como produtos constitutivos do circuito cultural contemporâneo e permeiam as experiências a partir de novos fluxos midiáticos. A investigação relaciona-se às culturas da imagem e do som para analisar as possibilidades de transformação comunicativa audiovisual e como elas podem reconfigurar performances mediadas tecnologicamente.
Situação: em andamento
Performance drag em rede: um olhas sobre a intelectualidade drag em Rita Von Hunty
João Bertonie

Esta dissertação trata de compreender de que forma a drag e youtuber Rita Von Hunty permite ver novas formas de práticas drag, tendo como enfoque os elementos que configuram sua performance na produção do que chamamos de intelectualidade drag. Vídeos no seu canal no YouTube, intitulado Tempero Drag, são tomados como vetores audiovisuais que ajudam a engendrar uma trama de materiais que abrangem audiovisualidades em outros canais no YouTube e no TikTok, além de publicações no Instagram e no Twitter. Neste esforço analítico, são apropriadas noções de audiovisual em rede (GUTMANN, 2021) e de entorno tecnocomunicativo (MARTÍN-BARBERO, 2009). O primeiro conceito diz respeito ao espraiamento do audiovisual em diversas plataformas, constituindo uma teia (ou uma rede) complexa e difusa; o segundo diz de complexidades que atravessam nossas relações (sendo elas comunicacionais, sociais, culturais, políticas) articuladas por tramas de textos, imagens e sons. A performance (TAYLOR, 2013) é tomada como chave metodológica e epistêmica, que, enquanto incorporação, arquivo, repertório e roteiro, este associado à noção de mise-en-scène, fornecem uma via analítica para a observação das continuidades e descontinuidades de elementos que inscrevem dimensões drag e intelectualidades no corpo de Rita Von Hunty. A noção de intelectual orgânico (GRAMSCI, 1982) é apropriada para a discussão em torno da construção de uma outra intelectualidade possível configurada no entorno das possibilidades abertas pelas práticas drag produzidas por e através dos audiovisuais que atravessam e constituem a performance de Rita Von Hunty.
Situação: concluída
Fabulações em Rede, o 'Não Álbum Visual' de Beyoncé e modos de vivenciar o pop no Brasil a partir dos memes
Kelven Figueiredo
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Este trabalho busca problematizar a centralidade da dimensão audiovisual nas expectativas de escuta da música pop no contexto contemporâneo, tomando como vetor analítico o "não lançamento" do esperado álbum visual RENAISSANCE (2022), de Beyoncé, com o intuito de identificar e interpretar um conjunto de fabulações meméticas, configuradas em rede em torno dessas expectativas, e como esta espera se manifesta não só, mas também, a partir dos memes. Então, pensamos a experiência em rede de uma promessa de álbum visual que não se concretiza. Este é um olhar inspirado pelas ideias de Janotti Jr. (2021) sobre "escuta conexa", o qual propõe que a escuta musical contemporânea precisa considerar mediações estéticas, socioculturais e tecnológicas, que resultam na produção de diferentes ambiências e formatos. Neste trabalho, consideramos as fabulações dos fãs materializadas na forma de memes como performance (Taylor, 2013; Martins, 2021), por intermédio da figura conceitual da mimesis, relação proposta por Gutmann e Cardoso Filho (2022), para então observar como o ‘não álbum visual’ pode ser compreendido enquanto audiovisual em rede (Gutmann, 2021) e o que isso pode nos dizer sobre a nossa experiência de consumo da música pop na relação com os memes, tomados aqui como uma forma expressiva e identitária de consumo audiovisual/musical.
Situação: concluída
“Mulheres em ação”: as identidades femininas em disputa na relação entre o cinema e a cultura
Marina Vlacic

Este projeto de pesquisa tem como objetivo determinar a estrutura de sentimento em seus aspectos dominantes, emergentes e residuais a partir das relações entre cinema e a cultura acionando a identidade de gênero no que tange as disputas de valores identitários do gênero feminino (LOURO, 1997) a partir de suas rupturas, ranhuras e manutenções. Para isso trabalhamos aqui com o objeto intitulado “mulheres em ação”, articulação personagem/atriz/mulher enquanto sujeito que promove uma ação, seja no filme, seja como atriz, seja em sua vida pessoal, que perpassam a experiência do “ser feminino” atravessado pela representação cinematográfica e de suas reverberações em ambiências digitais. Para realizar a investigação, propomos a análise cultural (WILLIAMS, 1979) como forma de tensionar cultura vivida e cultura registrada acionando valores identitários presentes tanto nas práticas sociais quanto nos produtos midiáticos. Associamos o audiovisual em rede (GUTMANN, 2021) à metodologia como forma de enxergar essas articulações em espaços de interação enredadas. Utilizamos ainda a performance (Taylor, 2013) como lente metodológica pela qual será possível acionar comportamentos, modos de ser e sentir em relação às identidades femininas presentes na ação dessas mulheres e em suas reverberações.
Situação: em andamento
“E eu não sou uma mulher?”: articulações e disputas de gênero musical e identidade de gênero em audiovisuais em rede no Brasil
Morena Melo Dias
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Este projeto de pesquisa busca compreender as relações entre gênero musical e identidade de gênero a partir das disputas políticas de feminilidades na música em ambiências digitais. Considerando que as questões sobre identidade de gênero são bastante presentes nas expressões comunicacionais contemporâneas, buscamos entender como negociações de sentido em torno da identidade de gênero (BUTLER, 2015) são constituídas, mobilizadas e atravessadas pelos quadros de valor dos gêneros musicais. A proposta é movida pela seguinte questão: como produtos e processos audiovisuais, configurados em redes, agenciam inter-relações de gêneros musicais e disputas políticas sobre feminilidades? A nossa hipótese é que as disputas de feminilidades na música se estabelecem em articulação com os quadros de valor (JANOTTI, 2004) dos gêneros musicais aos quais as artistas se vinculam. Propomos investigar essas relações a partir de processos audiovisuais articulados em rede, disparados por vetores que engendram uma trama audiovisual (GUTMANN, 2021). Acreditamos que as disputas políticas de feminilidades na música se configuram enquanto processo comunicacional por meio das redes tecidas nas ambiências digitais. Em nossa proposta, as tramas audiovisuais que articulam identidades de gênero e construções de valor na música serão analisadas como performances (TAYLOR, 2013) que deixam ver memórias incorporadas e envolvem temporalidades e identidades, permitindo acessar os audiovisuais em rede pelos processos de interação e disputas que esses corpos acionam.
Situação: em andamento
Selfies, os espelhos da festa: performances incorporadas do dia de Iemanjá na Pandemia
Ravena Sena Maia

Esta tese de doutorado aponta o quanto as selfies podem auxiliar na compreensão de transformações latentes do sentido de instantâneo, de futuros e memórias para o fotográfico. Ao pensar as selfies enquanto tecnicidade, com Jesús Martín-Barbero, aposta-se nelas como mediações de imagens de sujeitos projetadas numa cultura de mobilidade, articulando presenças/ausências entre o dispositivo móvel e as redes e fluxos digitais dentro de temporalidades múltiplas. A pesquisa parte de uma premissa, entender a selfie não somente como uma forma específica de autorretrato fotográfico, mas como um fenômeno cultural contemporâneo da imagem revelador do sensorium contemporâneo diante de um entorno tecnocomunicativo em rede. As formas culturais sélficas agregam à experiência fotográfica outras camadas de relações temporais e espaciais, de intencionalidades e de significação. A pesquisa toma o Dia de Iemanjá no contexto da pandemia da Covid-19 como ambiente catalisador do fenômeno. As imagens sélficas postadas no Dia de Iemanjá sem a existência da tradicional festa popular, se apresentou como uma situação que poderia amplificar ou catalisar o aspecto performático e incorporado dessa forma cultural, diante da dimensão da autorrepresentação. A partir daí, inicia-se uma coleta de imagens postadas na rede social Instagram contendo as hashtags #diadeiemanja e #2defevereiro entre os anos de 2020 e 2022, um período que compreende o último ano com a existência da Festa de Iemanjá e os anos posteriores pandêmicos com o impedimento do evento. Para compreender as transformações perceptivas deste “acontecimento” fotográfico sélfico do Dia de Iemanjá, a aposta é avançar pela dimensão corporal da selfie, buscando compreender quais conjuntos de gestualidades que o dispositivo fotográfico circunscreve à performance de um corpo na tentativa de produzir uma imagem que também representa uma presença. A noção de performance é encarada nos termos de Diana Taylor enquanto episteme possibilitando ver repertórios de uma memória cultural e suas transformações. Nesse sentido, através de um olhar historicizado para o estudo da fotografia de autorrepresentação, localizando-a enquanto dispositivo nos termos foucaultiano, a trajetória metodológica adotada posiciona as selfies do dia de Iemanjá no centro da última cartografia de Martín-Barbero, o Mapa Insomne 2017. Guiado pela articulação dos teus eixos, que tensionam sensorialidades, tecnicidades, espacialidade e temporalidade as imagens vão evidenciando através das lentes da performance as transformações perceptivas, culturais e comunicativas mobilizadas por uma ambiência em rede de caráter conectivo, responsivo e móvel.
Situação: concluída
O GNT faz seu gênero? Uma abordagem cultural do canal televisivo e de suas relações com identidades de gênero
Tess Chamusca

A tese de doutorado investiga as transformações na identidade de marca do canal nacional de TV paga GNT em sua trajetória de apropriação de valores vinculados às identidades de gênero. A identidade de marca é concebida como resultado de uma complexa interação entre múltiplos discursos e práticas que articulam os campos da produção e da recepção. A análise é conduzida a partir de uma trama de programas do GNT: Saia Justa, Manhattan Connection, Contemporâneo, Superbonita, Papo de Segunda e Tempero de Família. Porém, o estudo se debruça sobre um corpus mais amplo. Foram elencados os seguintes marcos temporais que contribuem para a investigação da questão da pesquisa: os anos de 2002/2003, 2010/2011, 2015 e 2017. Os resultados apontam que se reportar a um universo feminino se traduziu em uma televisão de intimidade e ao mesmo tempo em uma referência a um contexto urbano, dinâmico e cosmopolita. São valores que se destacam no canal ao longo do período analisado a família, a beleza, o trabalho, a independência financeira e, mais recentemente, a diversidade e o ativismo.
Situação: concluída
“REAGINDO A”: dinâmicas de escuta do rock em perspectivas negras nas reactions audiovisuais
Thiago Pimentel Barbosa Lima

Vídeos de reações ganharam popularidade como prática cultural (Bliss & Nansen, 2023). No contexto de conectividade, de ambiências digitais (Gutmann, 2021), esta tese mira o âmbito musical da modalidade no YouTube. Da profusão de pessoas negras reagindo a vídeos de rock
(Brock, 2020), a tese constituiu seu recorte encarando essa expressão como lócus de articulações de corpos, identidades, territórios, convenções e disputas raciais para analisar formas de escuta sinestésicas articuladas (Jaji, 2014) em rede. De um surfe/caminhar errante
que reperforma (Ingold, 2015; Taylor 2020), seis reações foram acionadas para compor um arquipélago. Sob uma perspectiva afrodiaspórica e afetiva, a performance (Taylor, 2013; Martins, 2021) foi uma das lentes metodológicas acionadas para interpretar esses audiovisuais
em rede. Partindo da hipótese que as reactions podem desestabilizar alicerces hegemônicos de mundo, crítica e gênero musical foram problematizadas para tensionar agenciamentos coloniais entre arquivos e repertórios. Analisando roteiros performáticos, percebeu-se que o apelo desses youtubers reagindo deu-se à exotização. Dessas ambiguidades, porém, os reacts evidenciaram dinâmicas de escuta (tensionando dimensões críticas) que redimensionam o rock e esses atores – processo que mostra como o rock foi abastado de sua negritude. Do gesto da escuta conexa (Janotti Jr. 2020), o percurso mostrou que os reactors tanto estabilizam convenções críticas
quanto desestabilizam evidenciando formas de ser negro que, às vezes, se antagonizam. Isso é constituído por políticas de escuta que diluem a música por diferentes vias sugerindo uma fluidez não só no fazer musical (Silva, 2021), mas na audição atrelada às perspectivas críticas.
Situação: concluída
Gênero midiático como dimensão analítica da performance televisiva: uma abordagem histórica da MTV Brasil
Juliana Freire Gutmann

A pesquisa abordou, numa perspectiva histórica, disputas de sentidos (continuidades e rupturas) que dizem sobre a performance de uma emissora de TV com base na análise de articulações entre programas, gêneros midiáticos e seus contextos culturais. O estudo empírico enfatizou estratégias comunicativas da MTV Brasil configuradas no seu principal produto (seus programas), que indicam “modos de formar” reconhecidos socialmente como sua marca, processo aqui traduzido pela ideia de performance televisiva. Tais estratégias foram analisadas em um conjunto de programas veiculados em períodos distintos, buscando identificar articulação entre a emissora, determinados gêneros televisivos e o universo da música popular massiva ao longo dos 27 anos de sua atuação no país. O estudo analítico deu conta de duas expectativas mais amplas de pesquisa: a) A construção de uma possibilidade de análise cultural da MTV Brasil, que consiga rastrear sua marca identitária pela interpretação de suas materialidades de modo atrelado aos discursos que circularam sobre seus programas em reportagens e críticas, depoimentos de espectadores e produtores; b) A formulação, testagem e avaliação de procedimentos analíticos constituídos pela articulação entre os conceitos de gênero midático, performance, contexto comunicativo, estrutura de sentimento e mise-en-scène. Resultados desta pesquisa estão no livro “Performances em contextos midiáticos: MTV BR & Rock SSA”, de Juliana Freire Gutmann e Jorge Cardoso Filho, publicado pela Edufba.
Situação: Concluída
Essa pesquisa se propõe analisar, através das lentes dos Estudos Culturais, as disputas afetivas manifestadas em faixas remixadas por DJs brasileiros. Os afetos são compreendidos neste projeto como energia de mediação, de caráter mobilizador e organizador (GUTMANN, 2021) e a figura do DJ é centralizada em função da sua competência de indivíduo mediador (FONTANARI, 2008). Serão utilizados como vetores audiovisuais (GUTMANN, 2021) para a análise as coletâneas de remixes After – Pabllo Vittar, DEB RMX - Juçara Marçal e Fernanda Abreu: 30 Anos de Baile – Fernanda Abreu, escolhidos pela diversidade de artistas em colaboração, visando a multiplicidade de possibilidades de articulação. O operador teórico metodológico adotado para esse projeto de pesquisa foi a contextualização radical (GROSSBERG, 2010), articulado com os conceitos de afeto e mediação, buscando compreensão de como os objetos analisados demonstram a emergência de disputas afetivas na produção de uma faixa remixada e como o DJ, personagem central da hipotese que norteia esse projeto de pesquisa, é capaz de “afetar e ser afetade” (yu et al, 2022).
